O período Permiano, que durou de aproximadamente 299 a 252 milhões de anos atrás, representou a última fase da Era Paleozoica. Ele foi marcado por mudanças geológicas profundas e por uma grande diversificação da vida terrestre, mas terminou de forma dramática com a maior extinção em massa já registrada no planeta.
Durante o Permiano, os continentes continuaram se
movendo e colidindo, culminando na formação do supercontinente Pangéia.
Essa enorme massa de terra unificada alterou profundamente os padrões
climáticos globais. O interior do continente tornou-se extremamente árido, com
vastos desertos, enquanto as regiões costeiras mantinham condições mais úmidas.
Os níveis de oxigênio na atmosfera permaneceram relativamente altos no início
do período, mas foram diminuindo gradualmente.
Em terra firme, a vida continuou a se diversificar. As
florestas do Carbonífero, dominadas por plantas que precisavam de ambientes
úmidos, deram lugar a uma vegetação mais adaptada à seca: as gimnospermas
(plantas com sementes), como coníferas primitivas, cicadáceas e ginkgos. Essas
plantas representaram um grande avanço evolutivo, pois suas sementes permitiam
a reprodução sem depender de água, facilitando a colonização de ambientes mais
secos.
No reino animal, o Permiano foi um período de grande
importância para os vertebrados terrestres. Os répteis se diversificaram ainda
mais e se dividiram em dois grandes grupos principais: os sinapsídeos
(ancestrais dos mamíferos), representados por animais como os pelicossauros
(com a famosa “vela” nas costas, como o Dimetrodon) e os terapsídeos, e os saurópsidos,
que dariam origem aos dinossauros, pterossauros e, muito depois, às aves. Nos
oceanos, os recifes de coral se recuperaram e surgiram novos grupos de
moluscos, como os ammonoides.
No entanto, o final do Permiano foi catastrófico. Há
cerca de 252 milhões de anos, ocorreu a Extinção Permiano-Triássica,
também conhecida como “A Grande Morte”. Foi a terceira, e de longe a
mais devastadora, das cinco grandes extinções em massa da história da Terra.
Estima-se que cerca de 90 a 96% das espécies marinhas e cerca de 70%
das espécies terrestres foram extintas. As causas foram múltiplas e
catastróficas: erupções vulcânicas massivas nas Trappes Siberianas, aquecimento
global extremo, acidificação dos oceanos, perda de oxigênio na água e a
formação do supercontinente Pangéia, que criou climas continentais muito
extremos. Essa extinção marcou o fim da Era Paleozoica e o início da Era
Mesozoica.
Só pra recapitular, as seis fases do período
Paleozoico são:
- Cambriano (541 – 485 milhões de anos atrás) Período da Explosão Cambriana,
quando surgiram a maioria dos grandes grupos de animais com partes duras.
- Ordoviciano (485 – 444 milhões de anos atrás) Grande diversificação marinha e
a primeira grande extinção em massa.
- Siluriano (444 – 419 milhões de anos atrás) Início da conquista da terra
firme por plantas e artrópodes.
- Devoniano (419 – 359 milhões de anos atrás) Era dos Peixes, surgimento dos
primeiros tetrápodes e das primeiras florestas.
- Carbonífero (359 – 299 milhões de anos atrás) Florestas gigantes, insetos
gigantes, surgimento dos primeiros répteis e formação dos depósitos de
carvão.
- Permiano (299 – 252 milhões de anos atrás) Formação da Pangéia,
diversificação dos répteis e a maior extinção em massa da história.
As Três Grandes Extinções em Massa da Era Paleozoica
Até o final do Permiano, a vida na Terra já havia
enfrentado três das cinco grandes extinções em massa de sua história. Esses
eventos dramáticos eliminaram grande parte das espécies existentes em cada
época, mas também abriram espaço para a evolução de novos grupos de organismos.
1. Extinção Ordoviciana-Siluriana (cerca de 444
milhões de anos atrás) -
Essa foi a primeira grande extinção em massa. Ocorreu no final do período
Ordoviciano e afetou principalmente a vida marinha. Estima-se que cerca de 85%
das espécies marinhas desapareceram. A principal causa foi uma forte glaciação
global, que fez o nível do mar cair drasticamente e reduziu o oxigênio
dissolvido nos oceanos.
2. Extinção do Devoniano Tardio (cerca de 359 milhões
de anos atrás) - Ocorreu no
final do período Devoniano. Cerca de 70% a 80% das espécies marinhas foram
extintas, especialmente recifes de coral e muitos peixes couraçados. As causas
incluem mudanças climáticas, queda no nível do mar e falta de oxigênio nos
oceanos.
3. Extinção Permiano-Triássica (cerca de 252 milhões
de anos atrás) - “A
Grande Morte” foi a mais devastadora de todas. Eliminou 90-96% das espécies
marinhas e cerca de 70% das terrestres. Levou milhões de anos para a vida se
recuperar plenamente.

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