O período Cretáceo, que durou de aproximadamente 145 a
66 milhões de anos atrás, foi a última e mais longa fase da Era Mesozoica. Foi
durante esse período que os dinossauros atingiram seu auge de diversidade e
tamanho, e a vida na Terra passou por transformações profundas, especialmente
com o surgimento e a rápida expansão das plantas com flores.
O clima era quente e úmido na maior parte do planeta,
mesmo nas regiões polares, que possuíam florestas temperadas. Os níveis de
dióxido de carbono estavam elevados, favorecendo um efeito estufa que mantinha
temperaturas globais altas. A fragmentação da Pangéia continuou de forma
acelerada: a América do Sul separou-se da África, a Índia moveu-se em direção à
Ásia, e o Oceano Atlântico continuou se alargando. No final do período, os
continentes já se aproximavam da configuração atual.
Um dos grandes destaques do Cretáceo foi a explosão
das plantas com flores (angiospermas). Surgidas por volta de 140 milhões de
anos atrás, elas se diversificaram rapidamente e substituíram grande parte das
gimnospermas em muitos ambientes. Árvores como magnólias, figueiras, carvalhos
e plantas herbáceas com flores se espalharam, criando florestas mais complexas
e oferecendo novas fontes de alimento. Essa mudança vegetal influenciou
profundamente a evolução dos insetos, aves e dinossauros herbívoros.
Os dinossauros atingiram o seu máximo esplendor:
- Terópodes: Predadores como o Tyrannosaurus rex, um dos maiores
carnívoros terrestres de todos os tempos, com mais de 12 metros de
comprimento, e os ágeis Velociraptor e Deinonychus, com
garras em forma de foice.
- Ornitísquios: Herbívoros com armaduras como o Triceratops (com três
chifres e uma grande gola óssea), o Ankylosaurus (totalmente
blindado) e os hadrossauros (bicos de pato), que viviam em grandes
manadas.
- Sauropodes: Embora menos dominantes que no Jurássico, ainda existiam gigantes
como o Argentinosaurus, um dos maiores animais terrestres que já
existiram.
Nos oceanos, os répteis marinhos foram extremamente
bem-sucedidos. Os mosassauros (grandes lagartos marinhos predadores)
tornaram-se os dominantes, atingindo até 17 metros de comprimento.
Plesiossauros e pliossauros ainda existiam, junto com tartarugas gigantes e
peixes ósseos modernos.
No céu, os pterossauros continuaram
diversificados, com espécies gigantes como o Quetzalcoatlus, que possuía
envergadura de mais de 10 metros. As aves também se diversificaram,
muitas ainda com dentes e caudas longas, mas já com características mais
próximas das aves modernas.
No final do Cretáceo, por volta de 66 milhões de anos
atrás, ocorreu a Extinção Cretáceo-Paleogênica (ou Extinção K-Pg), a
quinta grande extinção em massa. Um asteroide de cerca de 10 a 15 quilômetros
de diâmetro colidiu na região que hoje é a Península de Yucatán, no México,
criando a cratera de Chicxulub. Esse impacto liberou energia equivalente a bilhões
de bombas atômicas, causando incêndios globais, tsunamis, escurecimento do céu
por anos (devido à poeira e ao enxofre) e um inverno de impacto.
Além do asteroide, intensas erupções vulcânicas nas
Trapps do Deccan (na Índia) contribuíram com enormes emissões de gases tóxicos.
Estima-se que cerca de 75% de todas as espécies da Terra foram extintas,
incluindo todos os dinossauros não-avianos, pterossauros, mosassauros e muitos
grupos de plantas e animais marinhos.
Essa extinção marcou o fim da Era Mesozoica e o início
da Era Cenozoica, abrindo caminho para a ascensão dos mamíferos.

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